O que mais nos agrada nos nossos amigos é a atenção que eles nos dedicam". (
Tristan Bernard )

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Do analfabetismo à premiação internacional: Conde revoluciona no ensino-aprendizagem na rede pública


Na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Deputado José Mariz, os alunos foram estimulados a desenvolverem projetos de ciência que visassem a resolução de problemas do cotidiano dos condenses e a reciclagem de materiais danosos ao meio ambiente. Um projeto desenvolvido inicialmente por nove alunos, idealizado para resolver um problema simples do cotidiano: buracos em ruas, virou destaque internacional.

O projeto Ecoblocos foi representado pelos estudantes André Júnior e Luciano Soares na 3º lugar Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), que aconteceu em Gramado, no Rio Grande do Sul, ficando em 3º. Eles concorreram com 276 projetos de 20 países.

André Júnior explicou que a ideia original do ecobloco era tapar buracos, mas ao se perceber a força do material, ele começou a ser projetado para ser uma espécie de tijolo para edificações.

“Além de ajudar o meio ambiente, a gente queria ajudar nas ruas. Vimos que tinham calçadas com buraco e a gente queria tampar usando algum meio que beneficiasse tanto o pavimento asfáltico como o meio ambiente. Daí a gente utilizou o isopor porque era uma substância que estava sendo descartada de maneira irregular no meio ambiente. Começamos com ele e vimos que quanto mais isopor acrescentávamos no bloco, mais forte ele ficava”, afirmou.



“Não esperávamos que suportasse nem uma tonelada”
Com os protótipos prontos, os estudantes supervisionados pela professora de Ciências, Alda Vieira, foram fazer testes no Centro Universitário de João Pessoa (Unipê) para descobrirem quanto eram capazes de suportar. Foram quatro modelos. O resultado foi muito acima do que os jovens estudantes podiam imaginar.

“A gente fez vários protótipos, que ficaram denominados como B1, B2, B3 e B4. O B1, teve uma resistência máxima de três toneladas; o B2, de quatro toneladas; o B3, de 3.7 toneladas e o B4 de 2.7 toneladas. A gente descobriu que quanto mais isopor a gente adiciona, que foi o caso do B2, mais forte ele fica. Não esperávamos que pudesse suportar nem uma tonelada. A gente se surpreendeu muito quando até quatro toneladas foram suportadas, principalmente por ser um material muito frágil e elástico”, explicou Luciano Soares.

Luciano explicou ainda como funciona o processo de feitura dos blocos de tijolos com isopor. Não tem nada do outro universo: apenas curiosidade, inventividade, força de vontade e o suporte necessário oferecidos pela professora, a direção da escola e a Secretaria de Educação do município.

“A gente pica o isopor manualmente, deixa o mais separado possível e depois junta com uma pasta leve com cimento, areia, água, brita e adiciona o isopor triturado. Tem que ser essa ordem senão afeta bastante na resistência do produto”, detalhou.

Futuro brilhante pela frente
A supervisora do projeto, Alda Vieira, explicou que neste ano a Secretaria de Educação implantou o projeto ‘Ciência na Escola’, no qual as instituições deveriam fomentar o desenvolvimento de projetos para resolver problemas do dia-a-dia dos alunos. Ela disse que quando explicou o projeto da secretaria e entregou os papéis com os detalhes, ninguém soube ao certo o que fazer. Mas o grupo inicialmente formado por nove alunos teve a ideia do ecobloco e, mesmo sem fazerem ideia de onde iriam chegar, conseguiram o prêmio internacional e outro prêmio na UFPB, o de segundo lugar na Categoria Ensino Fundamental Escola Visitante do prêmio VII Talento Científico Jovem, que aconteceu no Hall da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

“É um futuro grandioso. Eu disse que eles vão conseguir o que desejarem. O que eles quiserem, eles vão conseguir. Porque, a partir de uma brincadeira, aonde ninguém das duas turmas, dos 42 alunos, esperava que fosse chegar a esse ponto. O sucesso foi tão grande que após o projeto deles, outros alunos vieram com novas ideias, novos projetos, pedindo para que eu apresentasse as ideias deles”, comentou Alda Vieira.

Com o sucesso do Ecobloco, outros alunos da escola desenvolveram a Telha de Isopor, usando um processo semelhante e faturaram uma menção honrosa no VII Talento Científico Jovem da UFPB.

Paraíba Já

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